Jay Maisel: o fotógrafo que ensinou o mundo a enxergar cor e luz falece aos 95 anos
O mundo da fotografia perdeu uma de suas figuras mais influentes. Jay Maisel, fotógrafo americano celebrado por seu domínio magistral de cor, luz e gesto, faleceu na madrugada do dia 23 de agosto de 2026, aos 95 anos. A notícia foi compartilhada nas redes sociais pelo fotógrafo Stephen Wilkes, que foi seu aprendiz por mais de 50 anos, e rapidamente repercutiu por toda a comunidade fotográfica mundial.
Início na pintura
Nascido no Brooklyn, em Nova York, Maisel estudou pintura e design gráfico na Cooper Union e em Yale antes de iniciar sua carreira fotográfica em 1954. A formação em artes visuais moldou profundamente o olhar que ele traria para a fotografia: uma sensibilidade para cor, composição e luz que poucos de seus contemporâneos conseguiam igualar.
Apesar de ter um portfólio impressionante que inclui figuras icônicas como Marilyn Monroe e Miles Davis, Maisel é mais lembrado por sua capacidade de capturar a essência da luz, da cor e do gesto na vida cotidiana. Ele não precisava de cenas extraordinárias para criar imagens extraordinárias. Sua genialidade estava em ver beleza onde a maioria das pessoas passaria sem olhar duas vezes.
Kind of Blue
Um dos trabalhos mais conhecidos de Jay Maisel é a fotografia da capa do álbum “Kind of Blue” de Miles Davis, considerado um dos discos mais importantes da história do jazz e da música mundial. A imagem, capturada por Maisel, se tornou tão icônica quanto a própria música, consolidando sua reputação no cruzamento entre fotografia comercial e arte.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, ele trabalhou com fotografia editorial, publicitária e artística, sendo reconhecido com prêmios como o Hall da Fama do Art Directors Club, o Lifetime Achievement Award da American Society of Media Photographers e o Infinity Award do International Center of Photography.
Mentor das próximas gerações
Para além das imagens, Jay Maisel foi um educador e mentor que influenciou gerações inteiras de fotógrafos. Seus workshops, realizados no lendário Germania Bank Building no Bowery, em Manhattan, onde viveu e trabalhou por 48 anos, eram conhecidos por serem transformadores.
Stephen Wilkes (à direita, foto abaixo) escreveu em homenagem: “Jay era, sem dúvida, o fotógrafo colorista mais prolífico de sua geração.” O fotógrafo Joe McNally, outro de seus aprendizes, também prestou tributo: “O mundo está um pouco menos colorido hoje. Jay, você me ensinou, me repreendeu com amor. Você afiou meu olhar. Me disse para andar devagar. Para respirar. E para ver.”
A Nikon USA também publicou uma homenagem, descrevendo Maisel como um fotógrafo lendário que ajudou a moldar a indústria por mais de seis décadas e que será profundamente sentido e sempre lembrado.
Seu legado
A abordagem de Jay Maisel, misturando a imediatez da fotografia de rua com o olhar de um artista plástico, continua a inspirar e educar novas gerações de fotógrafos. Seus ensinamentos sobre cor, luz e gesto seguem sendo referência em escolas de fotografia, workshops e comunidades ao redor do mundo.
Em 2018, sua vida e obra foram documentadas no filme “Jay Myself”, que registrou o momento em que ele deixou o icônico edifício do Bowery após quase cinco décadas, carregando consigo décadas de memórias, equipamentos e milhares de imagens que ajudaram a definir o que significa fotografar com intenção.
Jay Maisel nos deixa aos 95 anos, mas seu legado permanece vivo em cada fotógrafo que aprendeu, com ele, a andar devagar, respirar e, acima de tudo, ver.

