Leica Camera pode ser vendida para fundo de investimento chinês

Uma das marcas mais icônicas da fotografia mundial pode estar prestes a mudar de mãos. A Leica Camera AG, fabricante alemã conhecida por suas câmeras de altíssimo padrão e pela história de mais de um século no mercado, está no centro de uma movimentação bilionária que pode redesenhar completamente sua estrutura de propriedade.

Possível comprador

A HongShan Capital Group, também conhecida como HSG, surgiu como principal candidata a adquirir a participação de 45% que a Blackstone Inc. detém na Leica Camera AG. A HSG é uma empresa chinesa de venture capital e private equity, anteriormente o braço de investimentos chineses da Sequoia Capital, e gerenciava cerca de US$ 56 bilhões em ativos em 2024.

Gestoras, como a HSG, funcionam como plataformas multiestágio: elas captam bilhões de dólares com grandes investidores e dividem esse capital em fundos independentes, permitindo que uma equipe descubra e financie startups embrionárias com alto risco (Venture Capital), enquanto outra equipe injeta cheques massivos para acelerar, reestruturar ou comprar o controle de empresas que já são maduras e altamente lucrativas (Private Equity).

Mas a negociação pode ir além. A HSG também está em posição de adquirir a participação de 55% detida pelo bilionário austríaco Andreas Kaufmann na Leica, caso ele decida vender. Fontes anônimas consultadas pela Bloomberg consideram essa possibilidade realista.

Valorização da Leica

Para entender o peso desta negociação, vale olhar para os números. Kaufmann comprou cerca de 95% da Leica por aproximadamente US$ 85 milhões em 2004, e vendeu uma participação minoritária de 45% para a Blackstone em 2011 por cerca de US$ 179 milhões, colocando o valor da empresa em torno de US$ 407 milhões na época, um crescimento de 450% em menos de uma década.

Hoje, o cenário é ainda mais expressivo. A Leica vem de seu quarto ano consecutivo batendo recordes de receita, e sua avaliação atual pode chegar a cerca de US$ 1,165 bilhão.

Kaufmann e o futuro

A possível saída de Kaufmann levanta questões legítimas sobre o futuro da identidade da Leica Camera AG. Ele não é apenas um investidor, mas também é uma figura central na cultura e na estratégia da marca há mais de duas décadas. Mesmo que ele opte por vender sua participação majoritária, fontes da Bloomberg indicam que ele pode reinvestir na empresa para manter influência e controle significativo.

Vale lembrar que não seria a primeira vez que uma marca europeia de fotografia de prestígio passa para controle chinês. A sueca Hasselblad, outra marca premium com história rica, foi adquirida pela empresa chinesa de tecnologia e imagem DJI em 2017. Os paralelos entre os dois casos são inevitáveis.

Por enquanto, nenhum acordo foi confirmado. A HSG e a Blackstone se recusaram a comentar o assunto, e as fontes consultadas pela Bloomberg reforçam que não há garantia de que um negócio será fechado. O mercado fotográfico, no entanto, acompanha de perto cada movimento dessa história.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima