Falência da Getty Images: o que muda para os fotógrafos e seus pagamentos
A maior empresa de fotografia licenciada do mundo passa por uma reestruturação profunda. A falência da Getty Images foi anunciada oficialmente nessa semana, quando a Getty Images Holdings confirmou que a família fundadora Getty e a Koch Equity Development vão injetar até US$ 533 milhões em capital para tornar a empresa totalmente privada por meio de uma recuperação judicial do tipo Chapter 11.
Para os milhares de fotógrafos que licenciam suas imagens pela Getty, iStock e Unsplash+, a palavra “falência” soa alarmante, mas a realidade é mais matizada do que o termo sugere.
Anúncio da empresa
A falência da Getty Images se dá por meio de um Chapter 11 “pré-embalado”, que é a via rápida do sistema de recuperação judicial americano. Em vez de entrar com o pedido primeiro e negociar com os credores depois, a empresa já alinhou o acordo antecipadamente e entrará no tribunal com a maioria das negociações já assinadas, com previsão de concluir a reestruturação até o fim de 2026.
A raiz do problema não é apenas a inteligência artificial, como muitos imaginam. A crise foi impulsionada por uma combinação de fatores: uma fusão fracassada de US$ 3,7 bilhões com a rival Shutterstock, abandonada no fim de junho por um entrave regulatório, duas grandes condenações judiciais que somam mais de US$ 92 milhões, e reservas de caixa reduzidas diante de pesados pagamentos de juros sobre uma dívida de US$ 2,1 bilhões. A Bolsa de Nova York chegou a suspender a negociação das ações da empresa em 29 de setembro, quando os papéis valiam menos de oito centavos.
Sob o acordo, a família Getty e a Koch Equity Development, que já controlavam 73% da empresa, passarão a deter 100% da Getty Images. Todas as ações existentes serão canceladas, os credores serão pagos e os acionistas públicos não recebem nada.
O que esperar
A falência da Getty Images marca o fim de um capítulo turbulento para a empresa, que abriu capital em 2022 com ações valendo mais de US$ 30 e viu esse valor desabar para centavos ao longo dos anos seguintes. Com a volta ao controle privado, a Getty sinaliza que pretende se apoiar ainda mais em seu arquivo histórico e no negócio de fotografia jornalística, área onde mantém forte presença, cobrindo a maioria dos tapetes vermelhos e estreias de festivais de cinema.
Para fotógrafos brasileiros e do mundo todo que dependem da Getty como fonte de renda, o momento é de acompanhar de perto, manter a documentação em ordem e aguardar a conclusão do processo, prevista para o fim do ano. Por ora, a mensagem oficial é de continuidade, mas a prudência recomenda que cada colaborador esteja preparado para qualquer eventualidade.


