Canon RF pode ser forçada a abrir seu sistema por causa da derrota da Nikon

A derrota da Nikon para a Viltrox em um tribunal chinês pode ter desencadeado um efeito dominó que ameaça o último grande sistema mirrorless fechado do mercado. Se a patente do Z-mount da Nikon foi invalidada por não apresentar “uma grande novidade” suficiente, a pergunta que agora paira sobre a indústria é inevitável: o que torna a patente do Canon RF mount diferente? A resposta, segundo especialistas jurídicos consultados pelo PetaPixel, é preocupantemente pouca coisa.

Impacto no mercado

A China National Intellectual Property Administration (CNIPA) determinou que os designs de baioneta e terminais eletrônicos do Z-mount da Nikon não eram suficientemente novos ou inventivos para merecer proteção por patente. Segundo o tribunal, fazer ajustes no comprimento, ângulo e disposição das travas de baioneta ou pinos de contato em relação a monturas anteriores é uma escolha rotineira de engenharia, não uma inovação patenteável.

Essa decisão não apenas tirou da Nikon a base legal para processar a Viltrox na China, como também criou um precedente administrativo claro: geometrias e arranjos de pinos derivados de tecnologias de monturas anteriores não são novidade e, portanto, não são patenteáveis. Esse raciocínio se aplica diretamente ao mount da Canon RF, cujas patentes na China cobrem áreas muito semelhantes: a estrutura de baioneta de três abas com suas dimensões exatas e a interface física de 12 contatos eletrônicos.

Por que impacta a Canon?

As patentes chinesas do Canon RF se leem de forma bastante similar às da Nikon: protegem a estrutura física da baioneta e a interface de contatos eletrônicos entre lente e câmera. Se a Viltrox decidisse retomar a produção de lentes RF com autofoco e a Canon processasse a empresa, seria altamente provável que o tribunal chinês aplicasse exatamente o mesmo raciocínio que usou no caso Nikon, invalidando as patentes da Canon.

Vale lembrar que em 2022, a Canon ameaçou a Viltrox com ação legal, levando a fabricante chinesa a suspender a produção de lentes autofoco para RF mount. Na época, a Viltrox era uma empresa menor, com menos recursos financeiros e jurídicos. Quatro anos depois, a realidade é outra: a Viltrox se consolidou como fabricante respeitada, com recursos para enfrentar disputas legais de longo prazo, e agora tem um precedente judicial a seu favor.

O que a Canon pode fazer?

A situação coloca a Canon em um dilema complexo. Processar a Viltrox na China provavelmente resultaria na invalidação das patentes do Canon RF naquele mercado, o segundo maior do mundo para câmeras. Processar internacionalmente carregaria o risco de invalidar as patentes em escala global, repetindo o que aconteceu com a Nikon.

Entre as alternativas, a Canon poderia recorrer a bloqueios de firmware que impediriam lentes não licenciadas de funcionar com seus corpos. Porém, esse tipo de abordagem costuma gerar reações muito negativas dos consumidores e não é garantia de sucesso a longo prazo, já que fabricantes como a Viltrox demonstraram capacidade de contornar bloqueios de software em questão de dias.

A saída mais provável, caso uma fabricante chinesa retome a produção de lentes RF, seria a Canon partir para uma estratégia jurídica agressiva em múltiplos países simultaneamente, não necessariamente para vencer em todos os tribunais, mas para pressionar a Viltrox a negociar um acordo de licenciamento com pagamento de royalties. Ironicamente, esse é o resultado que muitos fotógrafos e fabricantes terceiros desejam desde o início: um sistema de licenciamento formal que permita lentes de terceiros no RF mount, similar ao que a Sony faz com o E-mount.

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