Melhor Cinematografia Oscar 2026
Foram divulgados nesta quinta-feira, dia 22, os indicados aos Oscar de 2026, e dentre as diversas categorias, iremos trazer os indicados a Melhor Cinematografia, antiga categoria denominada “melhor fotografia”.
E é claro que trouxemos algumas informações sobre a presença do Brasil na 98ª edição do Oscar. Os vencedores serão anunciados durante a cerimônia no próximo dia 15 de março, e até lá, os membros votantes da academia escolhem os seus favoritos à premiação.
Frankenstein [Dan Laustsen]
Na nova adaptação de Frankenstein dirigida por Guillermo del Toro, com a cinematografia de Dan Laustsen, esse filme aposta em uma estética clássica e extremamente controlada, pensada para uma total integração com figurino, maquiagem e cenografia.
Filmado por inteiro com a ARRI ALEXA 65, o filme utiliza o grande formato para criar enquadramentos amplos e imersivos, muitas vezes com lentes grande-angulares, permitindo close-ups expressivos sem distorções. Já a iluminação segue o conceito de fonte única, reforçando o drama nas cenas e remetendo a referências antigas.
O uso de lentes com filtros personalizados ajudaram a suavizar os realces e preservar a profundidade dos pretos, garantindo um visual orgânico e atemporal. Com forte preferência por cenários físicos e efeitos práticos, o filme constrói sua atmosfera sombria e poética.
Marty Supreme [Darius Khondji]
Em Marty Supreme, o diretor de fotografia Darius Khondji resgata a estética do 35mm tradicional, utilizando filme Kodak VISION3 500T em câmeras Arricam-LT e lentes Panavision C Series para capturar um visual como se fosse uma pintura, com textura e profundidade.
A abordagem visual do filme foi pensada para destacar rostos e expressões. Khondji combinou referências de fotógrafos e pintores clássicos para iluminar personagens e cenários de forma calorosa e viva, e abraçou a riqueza do ambiente construído, reforçando a autenticidade do período do filme.
O filme também conta com montagens criativas de câmera em movimento, misturando diferentes distâncias focais e até equipamento anamórfico histórico, enquanto as partidas de tênis de mesa foram filmadas com múltiplas câmeras e lentes longas para narrar o jogo quase documentalmente, sem recorrer a efeitos visuais exagerados.
Uma Batalha Após a Outra [Michael Bauman]
Em One Battle After Another, o diretor Paul Thomas Anderson e o diretor de fotografia Michael Bauman, desenvolveram uma mistura de ambição técnica com um visual orgânico e visceral, revivendo o formato VistaVision 35mm horizontal capturando uma imagem rica em detalhes e imersiva. A equipe adaptou e restaurou câmeras VistaVision vintage, aumentou o suporte técnico e usou uma extensa gama de filmes Kodak VISION3, criando imagens com textura e presença, inspirada no cinema dos anos 70.
Os contrastes fortes, granulação natural e composição dinâmica criaram a sensação de caos e realismo das cenas de ação e dos ambientes. Parte da produção foi rodada em Super 35, para cenas interiores, enquanto as cenas externas foram pensadas para o formato VistaVision na proporção 1,50:1.
Além disso, foram escolhidas lentes especiais com qualidades de flare e reprodução de tons de pele agradáveis, e a fotografia se adaptou a condições imprevisíveis no set, muitas vezes favorecendo improvisos e luzes práticas para reforçar autenticidade e textura. O resultado é um visual cinematográfico que equilibra a grandiosidade técnica do formato com o foco humano e emocional.
Pecadores [Autumn Durald Arkapaw]
Em Sinners, a cinematografia assinada por Autumn Durald Arkapaw adota uma abordagem ousada e incomum no cinema contemporâneo ao apostar no grande formato em película, combinando filmagens em 65mm e IMAX. Essa escolha técnica amplia a sensação de presença física e transforma o espaço em um elemento narrativo ativo, valorizando as paisagens abertas e a relação íntima entre os personagens.
Um dos pontos mais marcantes é a utilização do Kodak EKTACHROME 65 mm, feito especialmente para o filme, em conjunto com o tradicional Kodak VISION3 500T. Essa combinação permitiu contrastes fortes, cores densas e uma separação visual clara entre diferentes atmosferas e momentos da história. A alternância entre proporções de tela também reforça a narrativa, criando variações de escala que intensificam tanto o impacto épico quanto a intimidade emocional das cenas.
A iluminação e o enquadramento seguem referências fotográficas clássicas e dialogam com gêneros como o horror e o musical, criando imagens que equilibram tensão, lirismo e fisicalidade. A fotografia mantém foco absoluto nos personagens e na atmosfera do ambiente, usando luz prática e composição para reforçar a dramaticidade.
Sonhos de Trem [Adolpho Veloso]
Em Train Dreams, o diretor de fotografia Adolpho Veloso, brasileiro, constrói uma cinematografia sensorial para o filme de Clint Bentley, ambientado nas vastas florestas do noroeste dos Estados Unidos no início do século XX. A natureza deixa de ser simples cenário e atua como um personagem vivo, imponente e, ao mesmo tempo, ameaçador. Árvores que se perdem no horizonte, a luz do entardecer filtrada por pinheiros e o avanço devastador do fogo traduzem visualmente a relação frágil entre o homem e o ambiente. A fotografia abraça tanto a grandiosidade quanto o perigo da paisagem.
Apesar da escala épica dos cenários, o filme é ancorado na experiência humana, e Veloso aproxima a câmera dos rostos marcados pelo tempo, criando uma conexão íntima com personagens vividos por Joel Edgerton e Felicity Jones. Iluminados muitas vezes apenas por velas ou fontes naturais, esses closes contrastam com os planos super abertos e ajudam a reforçar a pequenez do ser humano diante da vastidão ao redor.
A escolha por uma luz naturalista dá ao filme uma sensação de imediatismo rara em produções de época, reduzindo a distância entre o espectador e aquele universo histórico. Essa abordagem atinge seu auge nas sequências onde o fogo domina a tela em tons intensos de vermelho e dourado, funcionando como fonte de luz, calor e destruição.
Presença Brasileira no Oscar
Além da já mencionada presença de Adolpho Veloso na categoria de Melhor Cinematografia, o Brasil também recebeu QUATRO indicações com o filme O Agente Secreto, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho com fotografia dirigida por Evgenia Alexandrova. O filme nacional recebeu indicações para Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Casting de Elenco.
Ainda teve o seu protagonista, o ator Wagner Moura, entre os cinco finalistas à categoria de Melhor Ator Principal. A cerimônia que anunciará os vencedores ocorrerá no dia 15 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
