GoPro vendida por US$ 285 milhões: o que aconteceu com a gigante das câmeras de ação
A notícia pegou o mercado de imagem de surpresa. A GoPro vendida para a Starman Optical por US$ 285 milhões, marca o fim de uma era para uma das marcas mais icônicas da fotografia e vídeo de ação. A empresa que chegou a valer US$ 4 bilhões em seu primeiro dia na bolsa em 2014 perdeu 96% do seu valor ao longo da última década, e agora muda de mãos em uma transação que reflete o tamanho da crise que enfrentou nos últimos anos.
O que foi anunciado?
A Starman Optical, empresa privada americana que fabrica transceptores ópticos para centros de dados de inteligência artificial, ficará com 90% da GoPro conforme o acordo anunciado em 1º de setembro de 2026. Os acionistas atuais da fabricante de câmeras manterão os 10% restantes. A GoPro permanecerá listada na bolsa após a conclusão do negócio, prevista para o final de 2026.
As ações da GoPro subiram mais de 50% após o anúncio, sendo negociadas a US$ 1,33, acima do preço de oferta de US$ 1,14 por ação, o que sugere que parte do mercado ainda espera uma proposta mais alta. Ainda assim, os números são um reflexo brutal da queda: a empresa que valia bilhões agora foi GoPro vendida por uma fração do que representou no auge.
Como chegou a esse ponto?
A trajetória de queda da GoPro é um caso de estudo em como a concorrência pode transformar um mercado em poucos anos. Após dominar o segmento de câmeras de ação praticamente sozinha durante a primeira metade da década de 2010, a empresa passou a enfrentar rivais chineses agressivos como DJI e Insta360, que ofereciam produtos com especificações comparáveis ou superiores a preços muito mais competitivos.
A receita trimestral da GoPro no período encerrado em junho de 2026 caiu mais de 80% em relação ao pico de US$ 633,9 milhões atingido no último trimestre de 2014. A escassez de chips de memória, impulsionada pela expansão dos datacenters de inteligência artificial, agravou ainda mais a situação, forçando a empresa a alertar em junho de 2026 sobre dúvidas substanciais quanto à sua capacidade de continuar operando.
O que vai mudar?
A Starman Optical traz para a GoPro um componente que pode redefinir o futuro da marca: tecnologia óptica para o mercado de IA e centros de dados. Como parte do acordo, a Starman incorporará seus transceptores ópticos ao portfólio da GoPro, componentes que permitem que equipamentos de rede transmitam dados por meio da luz.
As duas empresas afirmaram que o negócio posiciona a GoPro para explorar suas mais de 2.500 patentes nos Estados Unidos em soluções ópticas e de imagem, com foco nos mercados comercial, militar e de inteligência artificial. Também anunciaram planos de trazer de volta aos EUA a produção de alguns equipamentos ópticos essenciais, embora sem especificar um cronograma.
Diferente de outras empresas que abandonaram completamente seus negócios originais para migrar para IA, a GoPro vendida para a Starman continuará com suas operações voltadas ao consumidor final. A câmera de ação que definiu um segmento inteiro não desaparece, mas ganha um novo dono e uma nova direção estratégica.
O legado permanece
Independente dos números financeiros, é impossível negar o impacto da GoPro na cultura visual moderna. A marca popularizou a fotografia e o vídeo de ação, democratizou a captura de imagens em esportes radicais, viagens de aventura e ambientes extremos e criou uma categoria inteira de câmeras que antes simplesmente não existia. O nome GoPro se tornou sinônimo de câmera de ação da mesma forma que Xerox se tornou sinônimo de cópia e Band-Aid se tornou sinônimo de curativo.
A história da GoPro é um lembrete de que nem mesmo as marcas mais icônicas estão imunes às mudanças do mercado. Para fotógrafos e videomakers que cresceram usando suas câmeras em ondas, montanhas e trilhas ao redor do mundo, a notícia tem um peso que vai além dos números: é o encerramento simbólico de um capítulo que ajudou a definir como registramos aventuras.

